Introdução
O planejamento autônomo e replanejamento permite que o Hermes transforme um objetivo em etapas, execute ações, observe resultados e ajuste o caminho quando a realidade não corresponde às premissas. Essa capacidade é importante em missões longas, nas quais ferramentas podem falhar, dados podem mudar e uma solução inicialmente válida pode deixar de funcionar.
Autonomia não significa liberdade ilimitada. Um bom planejador opera com orçamento, prazo, permissões e condições de parada. Ele distingue pequenas correções de mudanças que alteram o objetivo e precisam de confirmação humana. Também registra por que abandonou uma etapa e como a nova decisão continua atendendo à missão original.
O tutorial implementa um ciclo de planejamento para agentes com as fases planejar, executar, observar, criticar e ajustar. O exemplo utiliza uma missão composta e inclui indisponibilidade de ferramenta, informação nova e tarefa impossível, permitindo testar reações seguras.
Pré-requisitos / Materiais
Hermes com chamadas de ferramentas
O agente precisa executar ferramentas e receber retornos estruturados com sucesso, erro e dados. Defina efeitos de cada operação, possibilidade de reversão e necessidade de aprovação. Sem essas informações, o planejador não consegue avaliar riscos.
Armazenamento do plano
Prepare um registro persistente com objetivo, restrições, etapas, dependências, estado, tentativas e observações. Salve versões do plano em vez de substituir silenciosamente a anterior. O histórico será essencial para auditoria e avaliação.
Critérios de sucesso e parada
Escreva condições verificáveis para conclusão, falha e bloqueio. Determine tempo, custo, quantidade de chamadas e número máximo de revisões. Uma missão sem limite pode entrar em repetição mesmo sem progresso.
Cenários de teste
Use missões com caminho direto, rota alternativa e necessidade de aprovação. Inclua retorno incompleto, alteração de requisito e ferramenta fora do ar. Marque o comportamento esperado para avaliar o replanejamento inteligente.
Passo a Passo Sequencial
1. Normalize o objetivo
Converta o pedido em objetivo, entregas, restrições e dúvidas. Não invente detalhes para preencher lacunas importantes. Se uma escolha muda substancialmente o resultado, solicite esclarecimento antes de criar um plano caro ou irreversível.
2. Classifique riscos e permissões
Identifique ações externas, dados sensíveis e operações destrutivas. Marque etapas automáticas, confirmáveis e proibidas. O planejador pode organizar uma ação de alto risco, mas não deve executá-la sem a autorização prevista.
3. Gere etapas verificáveis
Cada etapa deve indicar entrada, ferramenta, resultado esperado e teste de conclusão. Prefira unidades pequenas o suficiente para diagnosticar falhas, mas não tão fragmentadas que o controle consuma mais recursos que a própria tarefa.
4. Organize dependências e prioridades
Construa uma ordem parcial. Validações baratas e informações críticas devem vir antes de ações caras. Etapas independentes podem ser paralelas, respeitando limites. Uma tarefa bloqueada não precisa impedir outras que não dependam dela.
5. Estime orçamento
Atribua custo, tempo e tentativas esperadas. Reserve margem para imprevistos, mas estabeleça teto. Se o plano estimado exceder o orçamento, simplifique, reduza escopo ou peça autorização antes de iniciar.
6. Execute uma etapa por vez
Antes da chamada, confirme estado e permissões. Depois, armazene retorno bruto, resultado interpretado e efeitos observados. Não marque conclusão apenas porque a ferramenta respondeu; verifique se a entrega corresponde ao critério definido.
7. Transforme retornos em observações
Separe fato observado de inferência. Um código de sucesso informa execução, não necessariamente qualidade. Registre dados novos, falhas, divergências e mudanças no ambiente para que a crítica use evidências recentes.
8. Execute a crítica do plano
Após marcos importantes, pergunte se premissas continuam válidas, se o objetivo está mais próximo e se existe rota mais segura. A crítica deve produzir problemas específicos e não uma reescrita automática de tudo.
9. Escolha o tipo de ajuste
Uma nova tentativa repete a etapa após falha temporária. Uma correção altera parâmetros. Um replanejamento muda etapas futuras. Uma escalada pede decisão humana. Classificar o ajuste evita tratar todos os problemas com repetição.
10. Preserve partes válidas
Ao replanejar, mantenha resultados confirmados e altere somente o trecho afetado. O agente com plano adaptativo não deve desperdiçar trabalho nem repetir efeitos externos. Use chaves de idempotência para operações que podem ser retomadas.
11. Detecte ausência de progresso
Compare observações entre tentativas. Se a mesma falha aparece sem informação nova, interrompa. Outros sinais são planos cada vez maiores, retorno ao mesmo estado e consumo crescente sem entrega adicional.
12. Controle mudanças de objetivo
Informação nova pode exigir redefinição da missão. Se a alteração afeta prazo, custo, destinatário ou impacto, apresente a proposta ao usuário. O Hermes não deve ampliar o escopo apenas porque encontrou uma oportunidade durante a execução.
13. Produza um relatório final
Mostre objetivo, etapas concluídas, alterações, bloqueios, custos e resultado. Diferencie o que foi confirmado do que permanece pendente. Um resumo claro permite continuar manualmente ou retomar a missão depois.
14. Avalie estabilidade
Repita cenários e compare taxa de conclusão, revisões, chamadas e intervenção humana. O planejamento iterativo do Hermes deve reagir de forma consistente a falhas semelhantes, ainda que a redação do plano varie.
Exercício de replanejamento
Peça ao Hermes para reunir dados de três fontes, comparar opções e preparar um relatório. Durante a execução, torne uma fonte indisponível e altere um critério secundário. O agente deve manter dados válidos, buscar alternativa autorizada e atualizar apenas análise e conclusão afetadas.
Depois introduza uma mudança que altere o destinatário ou o orçamento. Nesse caso, o fluxo deve parar e pedir aprovação. Compare o plano original e o final para verificar se cada alteração possui uma observação concreta como justificativa.
Inclua também uma etapa que conclui tecnicamente, mas devolve dados vazios. O agente não pode confundir ausência de erro com sucesso da missão. Ele deve comparar o retorno ao critério de conclusão, registrar a insuficiência e escolher entre nova fonte, ajuste autorizado ou bloqueio. Esse cenário é comum em integrações que respondem normalmente mesmo quando nenhum item foi encontrado.
Por fim, teste o cancelamento solicitado pelo usuário durante uma ferramenta lenta. O Hermes deve impedir novas etapas, encerrar o que for seguro e informar ações que já produziram efeito. Um plano controlável precisa saber parar, não apenas continuar.
Revise planos salvos para garantir que dados sensíveis não foram copiados sem necessidade. Use referências quando o conteúdo puder permanecer em um repositório protegido. Defina retenção para observações e versões antigas, preservando o necessário para auditoria sem criar um histórico ilimitado de informações operacionais.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre nova tentativa e replanejamento?
Nova tentativa repete uma ação após falha temporária. Replanejamento modifica o caminho porque premissas, recursos ou requisitos mudaram.
O Hermes deve mostrar todo o plano?
Ele deve apresentar etapas, estado e justificativas úteis, sem expor conteúdo interno desnecessário. A visualização precisa apoiar controle e revisão.
Como evitar ciclos infinitos?
Defina limite de revisões, orçamento, prazo e detector de ausência de progresso. Ao atingir o limite, interrompa e relate o bloqueio.
Quando uma mudança exige aprovação?
Quando altera escopo, custo, risco, destinatário ou efeito externo relevante. Ajustes técnicos reversíveis podem seguir a política previamente autorizada.
Posso executar etapas em paralelo?
Sim, quando são independentes e não disputam recursos críticos. O planejador deve respeitar concorrência, orçamento e dependências.
Como medir a qualidade do planejamento?
Avalie conclusão, correção, quantidade de revisões, custo, tempo, ações repetidas e intervenções. Um plano curto não é melhor se ignora riscos.
Planejar bem é manter direção sem fingir que o ambiente será estável. Com estados persistentes, critérios claros e limites, o Hermes pode adaptar o caminho sem perder o controle da missão.
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