Introdução
A orquestração de múltiplos agentes permite que o Hermes transforme uma missão ampla em tarefas menores, entregue cada parte ao especialista adequado e reúna os resultados de forma controlada. Em vez de pedir que um único agente pesquise, analise, escreva e revise tudo, o sistema distribui responsabilidades e preserva uma visão central do objetivo.
Essa arquitetura é útil quando existem atividades independentes, conhecimentos diferentes ou necessidade de revisão cruzada. Ela não deve ser aplicada apenas para parecer sofisticada. Mais agentes significam mais mensagens, custo, latência e possibilidades de conflito. O ganho aparece quando a divisão reduz erros, acelera etapas paralelas ou torna a decisão mais verificável.
Neste tutorial, será criado um sistema multiagente com um coordenador, três especialistas e um revisor. O exemplo é independente de linguagem e pode ser adaptado à estrutura atual do Hermes. O resultado esperado é uma execução rastreável, capaz de lidar com dependências, falhas e respostas incompatíveis.
Pré-requisitos / Materiais
Hermes com ferramentas estruturadas
O agente deve receber objetivos, chamar ferramentas e retornar dados em formato previsível. Defina para cada ferramenta um nome, uma finalidade, parâmetros obrigatórios, limites de tempo e tipos de erro. Respostas estruturadas reduzem ambiguidades durante a delegação de tarefas.
Armazenamento de estado
Prepare uma tabela ou coleção para missão, tarefa, responsável, dependências, estado, tentativas, entrada e resultado. Evite manter tudo apenas no contexto do modelo. Um estado persistente permite retomar execuções interrompidas e investigar por que uma etapa foi bloqueada.
Perfis dos agentes especializados
Crie perfis curtos para pesquisador, analista, redator e revisor. Cada perfil deve informar competência, ferramentas permitidas, formato de saída e situações em que precisa devolver a tarefa. Limites claros são mais úteis do que descrições longas de personalidade.
Missões de teste
Separe missões com dependências simples e complexas. Inclua um caso bem-sucedido, uma fonte ausente, uma ferramenta indisponível e dois resultados contraditórios. Determine antecipadamente o que caracteriza sucesso para avaliar a coordenação de agentes de IA.
Passo a Passo Sequencial
1. Modele a missão e as tarefas
Represente a missão com objetivo, restrições, prazo, orçamento e critério de conclusão. Cada tarefa precisa ter uma entrega verificável, como lista de fontes, tabela comparativa ou texto revisado. Evite tarefas genéricas como analisar tudo, pois o coordenador não saberá quando a etapa terminou.
2. Construa o grafo de dependências
Registre quais tarefas podem começar imediatamente e quais dependem de outras. Pesquisa e coleta de dados podem ocorrer em paralelo, enquanto a síntese aguarda ambas. Antes de executar, verifique ciclos no grafo. Uma dependência circular deixa a missão parada mesmo quando todos os agentes estão disponíveis.
3. Implemente o agente coordenador
O coordenador recebe a missão, cria o plano e seleciona especialistas. Ele não deve executar automaticamente todas as tarefas. Sua função é controlar estados, validar contratos de saída, administrar orçamento e decidir quando replanejar. Mantenha suas instruções separadas do conteúdo produzido pelos especialistas.
4. Defina o protocolo de delegação
Cada solicitação deve conter identificador, objetivo local, contexto mínimo, entradas confiáveis, formato esperado e limite de recursos. O especialista responde com resultado, evidências, confiança, limitações e possíveis pendências. Esse contrato facilita a delegação inteligente de tarefas sem depender de interpretação informal.
5. Execute tarefas em paralelo com limites
Libere apenas tarefas cujas dependências foram satisfeitas. Defina concorrência máxima para evitar excesso de chamadas e disputa por ferramentas. Registre início, fim, consumo e retorno de cada etapa. Paralelismo deve reduzir o tempo total sem ultrapassar orçamento nem provocar operações repetidas.
6. Trate falhas e novas tentativas
Classifique falhas como temporárias, permanentes ou relacionadas à qualidade. Uma indisponibilidade pode justificar nova tentativa; parâmetros inválidos exigem correção; evidência inexistente pode bloquear a tarefa. Limite tentativas e use espera progressiva. O coordenador precisa informar quando não existe caminho seguro para continuar.
7. Resolva conflitos entre especialistas
Quando dois resultados discordarem, não escolha o texto mais convincente. Compare fontes, datas, métodos e escopo. O revisor pode solicitar evidências adicionais ou registrar que a divergência permanece. A arquitetura de agentes especializados deve preservar incerteza em vez de fabricar consenso.
8. Consolide os resultados
O consolidador recebe apenas entregas aprovadas. Ele remove duplicidades, mantém referências e organiza a resposta conforme o objetivo original. Inclua um resumo das tarefas concluídas, bloqueadas e descartadas. A síntese final não pode introduzir fatos que não apareçam nas contribuições validadas.
9. Adicione revisão de qualidade
O revisor verifica cobertura, coerência, evidências, formato e cumprimento das restrições. Ele devolve uma lista objetiva de problemas, não uma reescrita completa sem justificativa. Se houver correção, envie somente a parte afetada ao especialista adequado e preserve o histórico da versão anterior.
10. Avalie a execução completa
Meça taxa de conclusão, tempo, custo, número de conflitos, tentativas e intervenções humanas. Compare o fluxo multiagente com uma execução de agente único. A solução somente é melhor se entregar qualidade, velocidade ou controle superiores de maneira repetível.
Boas práticas para produção
Use identificadores idempotentes para impedir ações duplicadas após reinício. Restrinja ferramentas por perfil, aplique orçamento por missão e nunca compartilhe credenciais no contexto. Mantenha uma opção de cancelamento e um relatório que permita reconstruir a sequência de decisões.
Exercício de validação ponta a ponta
Entregue ao conjunto uma missão para comparar três alternativas de software e recomendar uma delas com critérios definidos. Faça o pesquisador reunir dados, o analista montar a comparação, o redator preparar a explicação e o revisor conferir as evidências. Durante o teste, retire uma fonte e provoque uma divergência de preço. O coordenador deve identificar a lacuna, impedir conclusão prematura e solicitar correção apenas da tarefa afetada.
Repita a mesma missão cinco vezes para observar estabilidade. Não espere textos idênticos, mas exija o mesmo formato, fontes rastreáveis e tratamento consistente da falha. Registre quais etapas variaram e ajuste contratos ou critérios, sem transformar instruções em uma lista tão rígida que impeça adaptação. Esse exercício revela problemas que uma demonstração perfeita normalmente esconde.
Perguntas Frequentes
Quantos agentes devo criar?
Comece com coordenador, dois ou três especialistas e revisor. Adicione novos perfis somente quando houver uma responsabilidade distinta e mensurável que não seja bem atendida pelos existentes.
Todo processo melhora com vários agentes?
Não. Tarefas curtas e lineares costumam funcionar melhor com um agente. A arquitetura distribuída compensa quando existem paralelismo, especialização, revisão independente ou dependências relevantes.
Como impedir que dois agentes executem a mesma ação?
Use uma fila central, bloqueio de tarefa e chave de idempotência. O coordenador deve confirmar o estado antes de liberar qualquer operação que possa gerar efeitos externos.
O coordenador também pode ser especialista?
Pode, mas separar papéis facilita auditoria e reduz conflitos. Se acumular funções, estabeleça fases claras e impeça que o coordenador aprove automaticamente o próprio trabalho.
Como controlar o custo?
Defina orçamento por missão e por tarefa, reduza contexto, limite revisões e escolha modelos conforme a dificuldade. Interrompa a execução quando o benefício esperado não justificar novas chamadas.
Quando pedir ajuda humana?
Peça revisão em ações irreversíveis, conflitos sem evidência suficiente, dados sensíveis e decisões com impacto relevante. A solicitação deve mostrar alternativas, riscos e informações já verificadas.
A orquestração amadurece quando o Hermes sabe delegar, esperar, verificar e admitir bloqueios. Começar com poucos papéis e contratos de saída claros torna a evolução mais segura do que criar uma grande equipe artificial sem controle.
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